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Uma outra rádio de Curitiba, a Alternativa FM, percebendo que esse
público ficaria sem ter o que ouvir e que existiria um ótimo mercado a ser
explorado, logo mudou seu estilo, e aos poucos a programação musical que era
Pop, foi dando lugar ao Rock. Diversos funcionários da Estação Primeira foram
contratados, e a sintonia 106,5 Mhz se firmou como a rádio rock de Curitiba. Mas
a Alternativa não poderia ser uma cópia da Estação. Por isso procurou realizar
uma "plástica" mais elaborada, com mais vinhetas e trilhas, mesclando um pouco
de pop com rock, começou espaço ao jazz e blues, e tinha como ponto forte as
promoções e parcerias com casa de shows. Aos poucos a Alternativa ia se
acertando, aumentando sua audiência e chegou a ser terceiro lugar geral no
Ibope, primeiro disparado na faixa etária dos 15 aos 25 anos, sem dúvida uma
bela conquista para uma rádio rock. O mercado havia melhorado muito, os
anunciantes aumentavam a cada dia e ao mesmo tempo nunca se viu tantas atrações
musicais de peso (nacionais e internacionais) como naquela época. Parecia que
tudo ia muito bem, até chegar a notícia de que, mais uma vez, a rádio rock não
seria mais rock. O jornalismo dessa vez não foi o "vilão", mas sim uma Igreja
Evangélica.
Se quando a Estação Primeira acabou logo a Alternativa assumiu uma identidade
rock, dessa vez foi diferente, nenhuma outra emissora decidiu apostar nesse
segmento, e por alguns anos os roqueiros de Curitiba passavam longe do rádio.
Demorou até alguém perceber que todos estavam perdendo com essa situação, o
público jovem, a cultura local, produtores de shows, anunciantes, enfim, a
cidade de forma geral. A vida cultural de Curitiba ia esfriando a cada dia,
pouquíssimas atrações de peso colocam a cidade no calendário, e tivemos que
sobreviver com a cena local, que também sentiu-se enfraquecida por não ter um
canal de divulgação. Com exceção da Rádio Educativa, emissora estatal com foco
na música brasileira, o que se via musicalmente nas rádios de Curitiba era o que
pode ser chamado de descartável. Isso não poderia ficar assim por muito tempo, e
foi então que Studio 96 viu o que já estava claro para muita gente,
Curitiba não poderia ficar sem uma rádio rock. Pode-se dizer que a 96,
principalmente no seu início, foi uma mistura de Estação Primeira com
Alternativa FM, a maioria de seus funcionários haviam trabalho em uma das duas
emissoras, alguns nas duas, e rapidamente a 96 conquistou seu público, e assim
como a Estação e a Alternativa, sempre foi líder de audiência entre o público
jovem na cidade.
Mais uma vez parecia que tudo andava muito bem, lógico, toda rádio tem
motivos de críticas e insatisfações, todas as mencionadas aqui tiveram seus
méritos e suas falhas, mas o fato é que bem ou mal, uma rádio que contribui
muito com a cultura local, vai fechar suas portas.
E aquela pulga atrás da minha orelha não para de azucrinar. O que leva uma
rádio rock ter vida tão curta em Curitiba? Várias respostas podem surgir,
diversas teorias podem ser abordadas, mas fica evidente que dinheiro e política
são fatores de enorme influência. A certeza que fica é que as pessoas é que a
cultura deve sobreviver de qualquer forma, não pode ser e não é dependente de um
ou outro meio de comunicação, está na cabeça de cada um de nós. Curitiba só terá
uma cena cultural forte se o povo curitibano quiser. E como uma pulga nunca vem
sozinha, outra pede atenção e pergunta no meu ouvido: o povo curitibano quer
cultura? |